quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Acordo ortográfico

O Novo Acordo ortográfico da Língua Portuguesa, que entra em vigência nos documentos oficiais brasileiros a partir desse ano, às vezes é associado à aproximação entre os povos de Língua Portuguesa. Essa ligação soa muito como a falácia da globalização, que também aproximaria cada vez mais os povos do mundo inteiro. Nada mais ilusório, na questão do novo acordo, pois ele já nasce visto como algo quem vem a beneficiar menos a população brasileira que aos grupos de editoras que entram nas licitações para compra de livros para as escolas - um dos setores mais lucrativos do mercado editorial. A questão é que a globalização e o novo acordo sofrem da mesma falta de legitimidade entre a maioria dos brasileiros. Quero dizer que não basta a letra, a teoria, a norma, para aproximar os povos; se não temos a possibilidade financeira de realizar intercâmbios no campo cultural, turístico e educacional, por que haveríamos de acreditar que a mudança de regras ortográficas unirão povos que falam a mesma língua, mas, por exemplo, amargam o peso da história colonial e do sempre presente legado do colonial, com o escravismo em alguns Estados brasileiros, como o MA e PA, que dele ainda não conseguiram se livrar?

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